20 de novembro de 2009

Realidade, amiga minha.


















Ela me disse:
- Precisas de mais realidade na tua vida.
Concordei.

Fui buscar a bendita, que veio correndo me abraçar, logo dizendo que demorei a chegar.

Nos tornamos amigas, ela doída e eu recém nascida.

Realidade amiga minha, ta me perturbando agora, me pedindo pra contar que ela nunca mais vai embora.

Eu agradecida àquela figura ousada que me disse:
-Vai lá!!

Agora somos as três inseparáveis, ela, a realidade e eu.


17 de novembro de 2009

A Menina Vanguarda


Não tenho vergonha de ter o pé chato, nem de calçar trinta e quatro nem de ser medida sem salto. Tenho fraquezas à mostra, vitórias em cofres e saudades remotas. Faço tudo num segundo, demoro o tempo necessário. Meu semblante é uma vitrine, passa gente sem olhar e outras só pra investigar. Tenho medo dos não sublimes e de querer cometer crimes. Sou bonita como Marte, não me interessa nada que não seja arte, olho a vida sem rogar. Faço o chato virar palco, o dilema ficar exausto, meu orgulho é ser só Eu. Quero tudo desse jeito, eu contigo sem castigo. Estranha, errada e depois copiada. Sou vanguarda de mim mesma! De agora em diante sou Todascores.

Ass: Lindascores

13 de novembro de 2009

Seu cantinho


De tanta solidão, se fazia muda,
ouvia de longe o silêncio e de perto o vento
Se fazia bicho, pra caçar cigarras
Se fazia terra, pra chamar chuva
Se fazia quente, em dia sem cor
Se fazia gente, pra inventar amor
De tanta invenção, foi ficando absurda
Seu cantinho, sua casa, se tornou poeira
Vida leve, tábua solta, que a tempestade levou

12 de novembro de 2009

Colo, cócegas e mãos




Quero mais é que ele chegue logo e passe o resto do dia comigo, em meio a risos e cafunés... colo, cócegas e mãos.


Chegue logo, o poente nos espera juntos, assitindo grudados, nucas e ombros.

11 de novembro de 2009

Da troça da vida.



Fez de conta que era pureza, pra poder encantar, mesmo longe a beleza.
Fez piadas do mundo, riu de males profundos, perdeu a noção de chorar.
Quis ser chamado de outro, escolheu dez nomes e poucos, fez o céu se curvar.
Fingiu ser tristeza um dia, pra enganar a alegria e depois fazê-la implorar.
Quis ser um tanto sublime, tentou palavras ardilosas, mas não sabia cativar.
Inspirou seu próprio crime, esqueceu os limites da dor, exagerou!
De tudo tão pensado e revirado, perdeu a linha e viveu sem amor.
Pagou o preço da troça, pulou do último andar.
Agora é pena apenas... e quase esquecimento.

6 de novembro de 2009

Vem agora


Vem, que a vida nos mostra o caminho
Vem, que meu medo de ir, já não está nos seguindo
Vem, que essa história ainda não foi contada
Vem agora, bem na hora, da gente ser feliz!

5 de novembro de 2009

Aceitação de mim


A poesia que vinha da luz
Contornava os olhos
Daquela gente oblíqua
De vozes gritantes

Tapei os ouvidos
Taparam os olhos
E seguimos em paz

28 de outubro de 2009

Entardecer Em São Paulo
























Entardecer Em São Paulo
Concurso Cultural InterCity Por Toda Minha Vida:
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25 de outubro de 2009

Anonimato



Ah, se existir um Deus pra isso tudo... 
Que pinta aquarelas pra  mostrar na nossa janela, que pede ansiedade pra nossa calma, que pincela vida no nosso cenário diário, que apresenta seu espetáculo quando tem vontade, que inventa um sentido pra tudo.
Ah, se ele ousasse não ser anônimo, assinaria com pseudônimo de Arte.

23 de outubro de 2009

Cortinas



Ao cerrar as cortinas,
a gente imagina o que ficou do outro lado.
Então melhor abertas!
Como num espetáculo de luzes
que não tem fim...
Os pesonagens tem luz própria,
irradiam dentro e fora;
toda hora é palco!

22 de outubro de 2009

Artista

 























Por profissão, por opção, por aceitação, por obstinação, por devoção!

Contou-me que era para sempre...


Chegou de mansinho,
o passarinho,
pra contar bem baixinho,
quase em silêncio,
que a tristeza sim,
tem fim.

E na pausa que se fez em seguida,
dando tempo pra entender,
foi -se rapidinho,
pra que só eu pudesse ver,
anunciada pelas asas partindo,
a felicidade
chegando pra ficar.

21 de outubro de 2009

Espinhos

Contou de seus espinhos, ela não se incomodou. Ela não os via, tampouco os sentia.
E tudo continuou como deveria ser: pétalas, cores e beija-flores - que às vezes vinham mudar sua rotina, mas que ela não ligava, pois tudo sempre voltava ao que era.
Durante toda a primavera foi assim... 

20 de outubro de 2009

Nunca pára

Prosseguiu atento
para não errar
o caminho.
Continuava sem rumo... (a cidade).
Não pára, o caminhante
e sua vontade de passar invisível.

18 de outubro de 2009

Poder do Olhar


14 de outubro de 2009

Sutileza e beleza da (des)saturação

Ele lia livros repetidos, via filmes proibidos e falava com o espelho. Cultivava manias estranhas, olhares infinitos e pensamentos multiformes.
À noite contava estrelas, de dia, passos.

Era tão sutil que ninguém jamais notara sua presença pela vida.

Quando criança, não lhe ensinaram colorir.

Pensava que o mundo era assim, um preto e branco só; como papel e letra, das páginas impressas dos seus livros velhos.
Não conhecia ninguém capaz de lhe contar a verdade.
Morreria assim, sem saber que via tudo diferente.
E achava tudo tão bonito, estranho e bonito!

Mal sabia ele...

10 de outubro de 2009

O Caminhante

Caminhante, cidadezinha morna.
Sem rumo... (a cidade).


Tudo que passa é lento.
Tudo que causa é silêncio.

Tudo o que ele quer é passar,
sem acordar a vida da vizinhança,
que de tanta pacate
z,
olha a vida da janela
confundindo com a novela.


Vai caminhante!


8 de outubro de 2009

"Céu de Marte"


Me contaram sobre o céu de Marte, repito, eu acreditei!

Invasão


Silenciaram a terra
me contaram sobre o céu de Marte -
eu acreditei.
'Fluoresceram' o dia
de um verde
desconhecido
cheio de agonia.
Esvaziaram a avenida
desplantaram...
replantaram
gente enraizada
cheia de medo
não identificado.

6 de outubro de 2009

Primaverei II


Já estou primaverando
de novo

há um bem de cor
de um bem maior

como um beija-flor
primavera.

2 de outubro de 2009

VEJA - ME


1 de outubro de 2009

Mania de artista

A simetria me fascina,
confesso.
Não sou maluca,
mas sou doida pelos ângulos retos.
Tenho mania de bagunça
mas a cabeça fica sempre arrumada,
sempre.